ENTENDA A DIFERENÇA ENTRE ESPIRITUALIDADE E RELIGIÃO.

A palavra religião existe desde o século 13. É de origem latina e vem de relegere (reler, revisitar, retomar). Pode ser interpretada como reler e interpretar documentos religiosos. O português Francisco Rodrigues dos Santos Saraiva, especialista em latim, considera o verbo relegere a verdadeira origem da palavra religião. Entretanto, há quem defenda que a palavra tenha origem no verbo religare (religar, atar, apertar). Nesta concepção, a religião liga a humanidade ao divino. 

Em um artigo de 2012, Harold Koenig, diretor do Centro para Teologia, Espiritualidade e Saúde, e professor na Universidade de Duke, nos Estados Unidos, reuniu algumas explicações de conceitos ligados à fé publicados em seus livros. Para ele, a religião é, sobretudo, um conjunto de práticas que se relaciona com o sobrenatural. “Envolve crenças, práticas e rituais relacionados com o transcendente. Em que o transcendente é Deus, Alá, Buda, A Verdade (…). Isso frequentemente envolve o místico e o sobrenatural”.

Ir à igreja, curvar-se perante um livro sagrado, rezar diante de imagens de santos; cada religião tem suas particularidades, seja em métodos de se exercer a fé ou em conceitos defendidos sobre determinados temas. “As religiões geralmente têm suas crenças específicas sobre a vida após a morte e regras de condutas dentro de uma sociedade. A religião é uma construção multidimensional que inclui crenças, comportamentos, rituais e cerimônias que podem ser executadas em particular ou em público, mas que são derivadas de tradições que se desenvolveram ao longo do tempo em uma comunidade”, relata Koenig. As religiões possuem dogmas. Os dogmas são crenças às quais não se admitem contestações. Nas religiões, são verdades reveladas pelo divino. A Igreja Católica possui 43 dogmas. A existência de Deus, o batismo, o perdão dos pecados após o batismo e a condenação ao inferno a quem negou a existência de Deus são alguns dos dogmas católicos.

Na época do Iluminismo, o poder da mente, como intelecto dominador, chegou ao seu apogeu, instituindo que a mente racional dominaria o pensamento ocidental. O "Penso, logo existo" se tornou denominante e ditatorial no comportamento humano. 

As coisas do espirito passaram da intimidade de cada um de nós para a administração formal por parte das igrejas. A consciência racional ganhou espaço. A ciência se desagarrou da filosofia e instalou-se o tempo do ver para crer, o tempo do ritmo acelerado e da especialização. Instituiu-se a vida dividida e segmentada e deu-se adeus à unidade. Muitas pessoas acabam encontrando alívio na religião. Oram e sentem um bem-estar.

Espiritualidade vem do latim “spiritus”. São crenças, atitudes e práticas que levam ao transcendente. Enquanto a religiosidade é encarada como um fervor em cumprir ritos e acreditar em dogmas, a espiritualidade é uma busca pelo bem-estar interior dentro do amor professado pela força maior. A espiritualidade está ligada ao conhecimento da alma humana, a fé em suas habilidades, acreditar que estamos neste plano para cumprir uma missão – amar a nós mesmos, semearmos o amor entre nossos pares e também a todos que estejam procurando a paz. Niura Pandula, neuropediatra e pesquisadora da Universidade Paulista de São Paulo (UNESP) define a espiritualidade como a prática da ética, moral e solidariedade. A espiritualidade pode ou não estar vinculada a uma religião.

Para nós do projeto ECOA, todas as crenças, filosofias e religiões são bem vindas, desde que alinhadas com o propósito de fazer bem ao próximo e amar a si mesmo. Entendemos que a religião é um caminho para a espiritualidade, dentre tantos. Procuramos falar de espiritualidade sem julgamentos e sem qualquer tipo de filosofia por trás, apenas usando os preceitos da prática da vida integral e psicologia transpessoal, entendendo que o que precisamos para acessar o divino, está conosco, seja em nossas atitudes, em nossas formas de pensar ou de agir. 


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